21/10/2013

||| as paredes não são transparentes e o futuro também não...


||| ... primeira aula da manhã. não sei a razão mas esta turma encanta-me. disse: todos de pé. todos de pé em cima das cadeiras. todos de pé em cima das cadeiras de costas para mim. estes são os meus dez minutos desta aula que tem três partes. e li. em voz alta. um texto que nunca tinha lido no contexto de aula. um texto de um livro que não abandona a minha pasta. este texto. no final, eles, de olhos fechados, em cima das cadeiras, de costas para mim bateram palmas. disse: podem sentar-se. a aula vai começar. por instantes roubei-lhes o tempo. e ouviram-me. eu li, em voz alta, sê como uma pedra. e pensei isso mesmo. um rochedo. no tempo das coisas que passam sempre sem parar, como um rio, o professor pode ser uma pedra. uma rocha, uma parede. um lugar de âncora para os seus alunos. eles são só pessoas e por serem tanto pessoas em construção, mais do que tudo, precisam disso. e fechei o livro. e comecei a aula que já tinha começado há muito tempo...