17/10/2013

||| da percepção do mundo ou do saber dos outros...


||| ... a razão de estudar. do «lat[im] studĭum, ĭī, "trabalho, cuidado, zelo; vontade, desejo..." e da razão dos outros. do saber dos outros. do valor que tem esse cuidado, esse zelo, esse desejo de saber. e do trabalho que é preciso para o conseguir. para a semana vou trabalhar com os meus alunos esta questão. transversalmente aos conteúdos a leccionar, os outros. aqueles que não somos nós. e para quê? para lhes mostrar a importância do conhecimento. que há esse valor intrínseco no acto de aprender. e que o que hoje estão a aprender estará, certamente, em parte, errado no futuro. já [espero] não encontraremos na rua, em conversas, gente que julgue e afirme que a terra é plana. mas durante séculos isso foi ensinado. eu também aprendi que não existia uma partícula que afinal existe e valeu um prémio nobel ainda há uns dias. ou que em aljubarrota houve uma técnica do quadrado que afinal não era um quadrado. entre tantas coisas. recordo-me de torga: pregados na parede da memória,/os dias do passado/amarelecem. recordo-me que como professor tenho a obrigação de lhes dizer que nem sempre a terra foi redonda. que nem sempre tivemos o luxo de saber que a gravidade era uma força explicável matematicamente. ou que a revolução francesa também se deu pela falta de pão. sabemos hoje muito mais do que ontem. e saberemos amanhã, certamente, muito mais do que hoje. há dias e saberes amarelados que já nos esquecemos que fizeram parte de nós como forma de ler o mundo. hoje obsoletos, ficam esquecidos. resta-me dar-lhes essa consciência. que somos seres em construção. permanente. como o conhecimento que nos habita. operários em construção. sábios com amor à coisa por descobrir. e se não lhes conseguir ensinar isto, nada de útil sairá da minha passagem no nosso tempo em comum...