09/10/2013

||| da autonomia e da curiosidade... do medo de ser adamastor...


||| ... dentro da minha sala de aula só estou eu. nem política, nem políticas. nem regras, regulamentos ou leis. estou eu. e eles. nós. nós, um grupo só. nem um coro ou uma orquestra. ou uma equipa. farto-me de ler coisas destas. não, nada disso. nós. eu e eles. eles e eu. um grupo, não. pessoas. nós. individualmente e em união. mas nós. e nós somos uma identidade muito maior do que a política de um momento. somos vinte e cinco, vinte e sete, trinta. mas somos nós. e quando eles forem eu, isto é, adultos, eu serei outra coisa qualquer cheio de memórias deles e de um tempo que já não é o meu. e eles, os meus alunos agora, já não serão eu. serão eles. num tempo diferente, com políticas diferentes. o que importa tudo isto? é que tenho três aulas pensadas para lhes ensinar a autonomia da liberdade e a responsabilidade das escolhas. porque tenho três aulas pensadas que reservo à curiosidade. somente. nada mais. autonomia e curiosidade. o programa, essa coisa imunda e grossa, pode esperar. a liberdade não. o amanhã, não. e eles serão do tempo em que estes que ditam a política hoje já estarão como eu. arrumados no futuro. o problema, grave, esse que hoje tenho em mãos como professor para eles e eu, para nós, é dizer: sei para onde vou. cada um deles dizer isso. e nenhum dizer: vou para onde me levarem. se o fizerem é porque não sabem pensar o futuro. o seu, o nosso, o deles, o meu. quero ensinar-lhes isso antes de lhes ensinar as coisas que o programa me diz para dizer e que digo como e quando quero para quando eles querem e podem. é mais urgente a liberdade e a responsabilidade do que qualquer outra coisa. e é tempo de a ensinar antes de qualquer outra coisa... o programa, cumpra-se no tempo que ficar, depois, para nós...