24/10/2013

||| da urgência do pensamento construído...


||| ... a banalidade das coisas ditas prosaicamente. do conhecimento imediato. sem reflexão. sempre  sem apropriação. sem associação de ideias. das coisas vistas aqui e ali. da ausência dos sábios. do saber e da ciência. do senso-comum. do humor fácil. da sabedoria simples. é tão mais fácil tudo isto para ensinar do que o seu contrário. o elevar o espírito. o sossegar o murmúrio das almas inquietas. a minha como professor, sempre inquieta, sempre com dúvidas. é tão mais fácil não estudar. não aprofundar. não saber para além do óbvio. porque os tempos são de certezas absolutas num espaço onde nada é absoluto. e isso estranha-se. e o hábito de citar: alguém disse. ou como diz o outro. ou qualquer coisa assim não tem lugar ali, na sala de aula, no centro do universo do conhecimento. saber é preciso para ensinar. saber muito. e muito mais ter dúvidas. e procurar respostas. e ser e ter licença para aprender sempre. e ser o primeiro dos curiosos antes de apontar o dedo aos alunos pela falta do mesmo sumo de que se tem sede. e custa ver tudo isto e o rio ser mais forte do que a pedra. mas o rio passará. a pedra fica. a erosão da pedra é mais lenta do que o rio que passa sem ordem ou destino. fica. ali, imóvel por baixo das águas que correm. mas não digam mais... alguém disse ou como o outro diz. digam e saibam o nome desse alguém, desse outro, na escola todas as coisas terão sempre um nome e um lugar para serem descobertas. aquela janela que dá para rio onde a pedra descansa a aguardar o seu dia de ver e ser reflexo de luz...