21/10/2013

||| das coisas simples antes das outras coisas todas...


||| ... sem o romantismo da expressão. mais uma semana começa. o meu lugar, lá estava. ao chegar. sentei-me. tenho sempre o espaço de trinta minutos entre chegar à cidade e à escola e o meu primeiro destino. uma loja de esquina onde sou, agora, cliente assíduo. envelopes, tem? sim, lá ao fundo. empoeirados. lá estavam. pensei nestes movimentos que agora são uma espécie de rotina no meu tempo. e achei curioso. sentado, no lugar onde todos passam tinha pensado em tudo. quase com a certeza de estar a jogar com cartas antigas um jogo conhecido. era uma aula sem riscos, pensei. daquelas onde sabemos os gestos todos de tão rotineiros que são. mas não. nada era igual. nem o tempo, nem as perguntas. nem a dúvida mais curiosa de todas... e foi aí, sentado no fim do dia, no mesmo local onde comecei que me apercebi. deixámos de ensinar as coisas simples. as necessárias. aquelas que são simples como um movimento. fomos levados pela tecnologia ou pelas especializações. pelas grandes orientações de dezenas de teorias pedagógicas. enchemos tudo com o espectáculo das coisas todas e perdemos tudo na transformação complexa de uma coisa simples. e seguimos o deslumbre de tudo isso. com coisas interactivas, coloridas, perfeitas. máquinas e estratégias de encantar. e perdemos as coisas simples. as mais simples. como os gestos. e a certa altura achámos mesmo que os nossos alunos já sabiam o que não sabiam. e erravam por não ajuste a estas coisas todas que eram só todas as coisas que queríamos que funcionassem simplesmente. e eles, sem as coisas mais simples, admiravam o espectáculo sem o compreender. e hoje percebi tudo isso, com um simples envelope...