14/10/2013

||| de como vinte e tal almas juntas não são uma banda...


||| ... estes são os meus alunos no início da aula, hoje. de costas para mim. a ouvir uma música logo no início da aula. que música? esta. estiveram assim três minutos e meio. em silêncio. o mesmo nome que dei a esta aula. todas as aulas têm um nome, um título, um mote. não é um sumário [coisa ainda permitida pela falta de imaginação ou simplesmente pelo sentimento estranho do dever cumprido num quadradinho onde não cabe nenhum resto de alma]. o nome desta aula foi: cenários e silêncio. quando estavam assim pensei muito seriamente por nunca os ter visto assim. seriam eles uma turma? ou seriam um grupo de pessoas que se encontrava diariamente no mesmo local, à mesma hora, há pelo menos dois anos? e lembrei-me do conceito turma, da origem da palavra. do lado guerreiro da mesma. da organização da cavalaria e grupo que trabalhava em conjunto para um mesmo fim. e perguntei-me, como professor, seriam eles uma turma? quanto tempo perdemos nós, professores, a criar turmas? ou simplesmente achamos que o são porque vão passar tempo juntos? tiramos tempo para observar os grupos que se formam dentro desta turma? ou criamos mesmo estratégias para que aquelas vinte e muitas almas se tornem numa turma? eles ali ficaram. eu, preparei logo depois deste pensamento, um desafio para os levar a actuar como turma. juntos para um desafio comum. todos. e o resultado foi ver que ainda lhes faltam batalhas de imaginação para o conseguirem... mas deram um passo, hoje. [e que bom é saber que são pessoas antes de serem uma turma e que podemos sempre ver cada um deles nessa organização artificial que cada vez mais faz menos sentido... acabem-se com as turmas. criem-se novas coisas que sejam desafios de futuro e não tenham em si impregnados os princípios do aluno anónimo que cabe em qualquer lado, que pertence, naturalmente, a qualquer horda militar treinada para obedecer...]