15/10/2013

||| de não saber como fazer ou simplesmente tentar...


||| ... lembro-me dos meus melhores professores. dos meus, aqueles que me ensinaram. lembro-me do que gostava neles, do que aprendi com eles, do que deles ficou em mim, do que deles, os meus professores preferidos, replico ou tento replicar. lembro-me também dos meus piores professores. muitas vezes pela diferença em relação aos primeiros. ou pela personalidade. ou por, com eles, não ter encontrado um caminho útil. ou simplesmente porque eram tudo menos professores. nada disto me assusta. com uns e com outros, aprendi. o que quero. o que não quero. o que gosto, o que não gosto. mas aprendi. lembro-me e relembro-me deles e do que deixaram em mim. o que me assusta, preocupa e até me deixa a pensar no professor que sou são todos aqueles, anónimos, cobertos pelo nevoeiro do tempo, de quem não recordo o nome, o rosto, as aulas, o que aprendi. aquela massa imensa de gente em terra de ninguém que não me deixou nada. que passou por mim e simplesmente, passou. é dessa bruma que tento fugir como professor. tentando ser o melhor ou o pior professor do mundo. mas nunca indiferente. nunca sem vida ou a pensar que estou ali como estaria em qualquer outro lugar. a minha profissão é uma das mais nobres do mundo. é um legado de história. um espaço de tempo que não se pode esquecer. e o que quero deixar nos meus alunos não é a memória de mim. é o que comigo possam aprender. que lhes fique para a vida. na vida. com eles, como ferramentas para edificarem a sua própria caminhada. bom ou mau, sim. no meio, não está a virtude. está a indiferença de quem ensina sem encanto no que faz...