17/10/2013

||| deixem-nos trabalhar, pensar e aprender...


||| ... testes. fichas de avaliação. mini-testes. questionários. exames. lixo. caixote do lixo. reciclagem. papel em branco. esse sim, útil. há muito tempo que quase aboli os testes, provas e coisas que tais da sala de aula. ou melhor, andam por lá, mas sem utilidade. apenas para registo. apenas para ficarem num dossier cerca de cinco anos [porque é obrigatório, dizem] e depois vão ser úteis sendo reciclados. que valor tem a repetição em formato de quinze ou vinte perguntas se depois, perante uma situação real, um desafio ou um problema os meus alunos não sabem aplicar o conhecimento pois não vem na forma de uma pergunta com linhas ou hipóteses de resposta? paralelamente defini outros modelos para me aperceber de onde estão os meus alunos na sua relação com o que aprendem em sala de aula. chamo-lhes marcadores de aprendizagem. fica giro e tem aquele ar de coisa pensada e teoricamente fundamentada no caso de me perguntarem. são desafios. complexos. tão complexos como uma máquina de Rube Golberg [cujo concurso já inscrevi os meus alunos] que são centrados nos conteúdos que tenho no tal programa que me obrigam a dar. partem destes mas vão muito mais longe. são pensados para os próprios desafios serem obstáculos que os alunos precisam superar com ajuda do conhecimento apreendido em contexto de trabalho comigo sobre temas concretos. não testam. questionam. e geram dúvida. e esse elemento é o mais fundamental. que um mecanismo de avaliação não se esgote em si mesmo. seja ele mesmo gerador de dúvida para promoção da curiosidade de saber mais. o certo e errado marcado a caneta vermelha há muito se esgotou. a provocação para o desenvolvimento de novos conhecimentos e capacidades tem uma potencialidade quase inesgotável se for bem pensado. e num tempo em que a educação se transformou numa máquina de repetição, teste, repetição, teste, repetição, teste, repetição, teste, repetição, teste, repetição, teste, repetição, teste seria importante parar, pensar e ver a utilidade de tudo isso para uma coisa ainda mais importante do que tudo isto... o tempo. o tempo que é retirado a cada um de nós como professores e aos nossos alunos para, de facto, aprender...