09/10/2013

||| do conhecimento ou a virtude do escopro e cinzel...


||| ... este é o corredor da escola. pouca gente deve ter reparado naquela linha marcada no chão pelo tempo e pela quebra dos materiais que forma todo aquele espaço. gosto da ideia de esperar sentado. de ver os meus alunos ali, à espera. em conversas. agora que penso no que fazer numa próxima aula relembro a lição do escultor que achava que a obra estava escondida na pedra, era só preciso partir o que está a mais para encontrar o belo. se fosse assim com o conhecimento seria fácil. mas não é. para se saber é preciso tempo e trabalho. mais do que tudo isso é preciso pensar. e hoje, em que o tempo tem a velocidade que tem [que é a mesma que sempre teve] o conhecimento torna-se na mais importante virtude possível. o que nos separa do desconhecido não é o medo. é a ausência de conhecer. e olho para os meus alunos com essa certeza. que a única coisa que lhes posso deixar para o futuro é o conhecimento. o que tenho em mim. e eu sou professor. o que aprendi há quase duas décadas já está errado. aprendi, como eles, sentado num banco de sala de aula. e hoje, o que me ensinaram está errado ou obsoleto. ou simplesmente representa um mundo que já não existe. a única coisa que me deram foi uma licença. uma licença e um escopro e cinzel para eu poder, como o faço, todos os dias aprender. e só assim me posso dizer ou intitular professor. porque sei mais do que ontem. porque hoje fui aprender um pouco mais sobre hoje para lhes deixar o conhecimento que eles não sabem que precisam, amanhã. o professor, um professor, eu como professor deve ser alguém no seu tempo a olhar para o futuro. e mais do que ninguém deve saber que o conhecimento é tão efémero como o tempo. por isso, todos os dias, é preciso ir a correr à sua procura...