17/10/2013

||| do lado da cultura que dá para a janela aberta...


||| ... há uma coisa muito importante para mim enquanto professor. o tempo. não, não é o tempo de aula, que é importante. não, não é o tempo, agora contado em minutos, não, não é esse tempo. é o tempo. o tempo para pensar. o tempo para aprender. o tempo para mergulhar na cultura e no que se faz, pensa, diz, publica, inova, cria, refaz, desfaz, renova e muda. o tempo para me apropriar do movimento das coisas. o meu tempo de recreio. de refazer, de recriar. e assusta-me que mais do que as condições materiais e organizativas de tudo o que gira em torno do meu trabalho em sala de aula, nos andemos a esquecer que o mais precioso é mesmo esse tempo. e disto até nem me posso queixar. tenho esse tempo para pensar o que fazer, como fazer e como trabalhar com os meus alunos. e para a semana o tema das aulas será os outros. os outros que não somos nós. o que os outros pensam, sabem, compreendem. e uma pergunta emerge. o que os outros querem? e por instantes assusto-me. eu sei o que quero para a minha escola. quero uma escola pequena, com poucos alunos por turma, com uma relação de proximidade construída na confiança e no conhecimento. não é uma utopia. é o que quero. é pelo que luto todos os dias dentro da minha pequena esfera de poder. mas sei o que quero. o que me assusta é que muitos professores já sem sabem o que querem. não querem esta escola, mas de tanto tempo roubado para pensar nem conseguem vislumbrar o futuro. e mais do que nunca, esse desenho imaginário que que queremos é fundamental. não estamos presos numa ilha de hoje. há ali ao fundo um caminho mas desta vez, mais do que nunca, é preciso construir o caminho com as próprias mãos. e para retomar esse caminho o que é preciso é começar por reclamar esse lugar, esse espaço de pensamento: o tempo para o nosso recreio...