10/10/2013

||| do medo de brincar a sério...


||| ... sento-me para pensar cinco formas de trabalhar com os meus alunos na próxima aula. e penso que tenho que levar papel, vendas para os olhos e velas. a idade média. penso em mais de mil coisas que podia fazer. não concordo com a comercialização da história nem acho que as feiras e coisas que tais representem o que terá sido uma época. e tenho no programa: a construção do social. e tenho que ir falar do medo. e o medo tem uma época. a idade média. nasceu lá. cresceu lá. no escuro. com o escuro. com a ausência de luz. com a imaginação. ainda ontem estive na casa das história paula rego e ouvi uma lição única. sobre a memória. e sobre a lembrança. sempre achei fascinante esse conceito. que somos aquilo de que nos lembramos. nada mais. e de como criamos lembranças pela auto determinação e auto construção da memória que nem sempre é a reprodução do real. eu, que sou professor, crio lembranças nos meus alunos. gostava de o saber fazer melhor. uma coisa que um dia lhes vai parecer natural mas que é um fragmento do conhecimento apreendido. uma lembrança. nem saberão, certamente, identificar como "sabem aquilo". da mesma forma como eu, quando me perguntam: "ó professor, como é que sabe isso", respondo tantas vezes: nem eu sei... é só algo que me lembro. sem recordar a fonte ou a forma. para isso só preciso dessas ideias. a única ferramenta que tenho como professor: imaginação e conhecimento. única, em simbiose perfeita. o resto são coisas. e coisas são só coisas. instrumentos. e o que importa não são os instrumentos. é tudo aquilo que os faz nascer e renascer. é tudo aquilo que cria lembranças...