24/10/2013

||| do que vem de fora da escola para dentro...


||| ... há muito que perdi a veleidade de pensar que inovo alguma coisa no processo pelo qual tento ensinar alguma coisa aos meus alunos. gosto muito de estudar com eles. sim, de estudar com eles. trabalhar, não. estudar. uma das coisas que em disseram como sacrossanta quando comecei a dar aulas foi uma coisa que, estranhamente ainda outro dia ouvi. se não souberes não digas que não sabes. há uma resposta milagrosa para dizer ao aluno: vais ver isso e depois trazes a resposta para a próxima aula. ou seja, o aluno não sabe, está com uma dúvida e nós tratamos de o encaminhar para o abismo. ele não sabe, muitas vezes nem sabe como procurar ou encontrar a informação [e consequentemente a resposta à sua dúvida]  mas eu, professor, devia ficar muito mais descansado por, não sabendo, parecer que sei mas não quero dizer. se há coisa que sempre estranha foi esta. já me justificaram com o fomentar a autonomia do aluno e criar espírito de descoberta. ainda mais estranho achei. autonomia? descoberta? a dúvida fica ali pendurada num vazio sem qualquer orientação ou apoio e isso fomenta a autonomia e a descoberta. ou será que gera, simplesmente, esquecimento? eu gosto imenso do desafio de estudar com os meus alunos. de ir descobrir o que não sei. quando me perguntam: ó professor esta torre tem as janelas assim porquê? e eu não sei responder. e na aula seguinte levo os livros, os textos, as músicas, as fotografias, o que consegui reunir para investigar. e digo-lhes como fiz. onde fui procurar, como procurei e como encontrei a resposta [ou não]. e falo com eles cinco ou dez minutos sobre como se constrói o conhecimento científico. como se faz investigação histórica ou social. e estudamos juntos. e novas dúvidas surgem. e desta primeira abordagem centrada no que sei de como fazer uma investigação passo a construir a autonomia de novas investigações a novas dúvidas com eles. eu arranjo isto e vocês outras coisas. na próxima aula começamos por aqui. e da soma de todas as dúvidas nasce a curiosidade. essa sim, fundamental para a autonomia e descoberta... dá trabalho? dá. mas estudar é isso...