16/10/2013

||| do ser, criar e confundir... da razão à lógica...


||| ao pensar a próxima aula faço sempre, como professor, três exercícios. o primeiro é pensar que estava à mesa do banquete. sim, aquele escrito por Kierkegaard. recordo a frase perdida no meio de uma das conversas: concebe-se a coisa, mas dela não se pode dar razão. recordo sempre este livro pela razão que tem cada um dos personagens como se fossem parte de mim, como professor, na criação de um percurso. nunca penso numa aula. muito menos, apenas numa. penso num ciclo, num percurso. quase como um jogador de xadrez. penso no momento em si e nos três seguintes. para que haja uma lógica. uma harmonia. uma ligação. faço-o pelos nomes que dou às aulas. títulos, motes, legendas. como se cada fosse um desenho ou uma fotografia ou um frame de um filme que tem que ter um antes e um depois. porque por muito criativa que seja uma aula se não assentar no conhecimento não passa de um exercício idiota que se perderá no tempo. e se os meus alunos procuram tenho que ser eu, como professor, a dar-lhes significados e coerência. mesmo que o mundo inteiro, lá fora, seja completamente surreal. o segundo exercício de reflexão que faço é o da perspectiva. se eu estivesse sentado do lado dos meus alunos faria sentido a leitura que desejo dar à sequência de aprendizagens vividas que estou a pensar? o outro. os outros. eles que sou eu. eu que tenho que ser eles por um breve instante de sobreposição de personagens para entender o todo. ou esconder a surpresa. ou preparar o momento de agitação em jogo com o de acalmia. o de antecipar e prever dúvidas. faço-o e geralmente repenso a aula, as aulas, o percurso em função de cada turma. ligeiras cambiantes permitem uma mesma estratégia para alunos diferentes em turmas diferentes e ciclos de aprendizagem diferentes. por isso tenho que os pensar. sentar-me no meio deles imaginariamente e dizer: isto faz sentido. em último lugar, desenho as soluções. [re]centro o conhecimento que quero que apreendam. coloco-o o saber e os saberes a mobilizar no centro da estratégia. e penso em desafios. caminhos, actividades. algumas que uso com frequência. outras, pensadas no momentos. mas ao levar a chave à porta da sala nunca sei qual vou usar. sei só que as levo pensadas comigo para um fim. e a próxima aula será para serem eles a pensar os outros. porque a história e a construção social é feita de outros. muitas vezes antes de nós. partilharei, como sempre, a metodologia na próxima semana. mas só com o colocar da chave na fechadura da porta da sala saberei, ao certo, o que vou fazer...