14/10/2013

||| do ser ridículo ao universo infinito da autoridade...


||| ... sabia que ideias levava. esta não estava prevista. ao chegar fui a correr a uma loja comprar três bonequinhos iguais a este que me acompanhou no sofá no meu momento de espera que antecede sempre o início da primeira aula. os meus alunos estão por definição oficial no chamado ensino secundário. é ridículo fazer qualquer coisa com eles com este bonequinho. é? ou será ridículo exactamente o oposto? não o fazer? que medo temos todos desse lado do sorriso, do riso, do imprevisível comportamento no uso do humor. só um. o de perder a autoridade. será? não, não é. é mesmo de sermos ridículos e de perdermos a autoridade, com isso. pois eu sou um professor que não tem medo de ser ridículo. nunca encontrei sucesso no formalismo artificial. nunca encontrei proximidade e transferência de conhecimento nas formas rígidas de relação pedagógica, como lhe chamam aqueles que sabem destas coisas que eu, professor, não sei. é que a minha autoridade na relação com os meus alunos só vem de uma coisa. do imenso respeito que lhes tenho. a cada um deles e a todos eles. e se tenho alguma inteligência em mim não lhes podia negar o humor que, para mim, é um dos lados dessa mesma inteligência. não é por sorrir, rir e brincar muito a sério com eles, com eles como alunos e como pessoas, que o respeito se perde. é mesmo disso que ele vive, se alimenta e onde se alicerça. eles sabem e sentem que eu sou verdadeiramente ridículo também para eles e com eles e todas as regras de uma relação social que terá que durar um ano lectivo se tornam muito mais claras e justas...