22/10/2013

||| duas razões e meia para estudar e esquecer...


||| ... na porta de entrada para a escola está este letreiro. acho que ninguém dá por ele. são umas palavras importantes. deviam estar em todas as escolas. acesso livre. e ao subir levei isto comigo. para a segunda aula com os meus alunos para os desafiar para o conhecimento. sim, eu como professor, não parto da premissa que os meus alunos estão automaticamente predispostos a aprender. que é a sua obrigação. que, como ouvi tantas vezes, é o seu trabalho. estudar não é um trabalho. é uma ocupação. e o espírito precisa de estar predisposto a estar ocupado. não confundir com motivação [que estando na moda é a maior falácia de todas]. é ocupado. concentrado. inquietantemente ocupado. curioso. predisposto a aprender. com acesso livre. e como o fazer? instalar a dúvida da utilidade do conhecimento e do estudo parece inútil até pelos tempos que correm. então? o caminho que escolhi foi o de mostrar aos meus alunos o conhecimento dos outros. e foi isso que fizeram numa aula indo questionar pessoas. gente que passava ou simplesmente estava por ali. sobre os temas/conteúdos que vamos trabalhar. o que sabem hoje as pessoas sobre isto e como o sabem. e o confronto com a realidade revelou-se imensamente avassaladora. que aqueles que diziam que os alunos hoje não sabem nada são os primeiros a errar nas questões que esses mesmos alunos lhes colocam. ó professor, as pessoas não sabiam isto que é tão básico. pois não. é por isso que vocês estão aqui. ou então, como ouvi de uns alunos: ó professor, o senhor esteve ali dez minutos a falar-nos de samuel becket. era um actor. foi mesmo giro. agora cabe-me desconstruir tudo isto em aula. o saber, o que os outros guardam. o que é o conhecimento num tempo, no seu tempo. e só assim se pode perceber o que é a história e o que são as classes sociais. os letrados e os não letrados. o saber do senso-comum e o saber erudito. e fazer perceber onde querem estar, eles. mais do que estudar ser uma ferramenta para a vida é dizer aos meus alunos, mostrando, em que lugar querem estar na construção social do seu tempo. e assim foi. os outros são sempre o melhor espelho de nós próprios...