29/10/2013

||| já ninguém ensina o belo...


estou na pré-primária
e caí de cabeça no chão e de joelhos
era tudo uma confusão na minha cabeça
como se fosse invadido por algo que não faz parte de mim
um universo de ideias confusas e distorcidas
autoria: turma 2.t

||| ... tenho sempre comigo, como professor, a abertura do livro - a história do feio, de umberto eco. para as civilizações arcaicas e para os povos chamados primitivos, temos achados artísticos, mas não dispomos de textos teóricos que nos digam se aqueles se destinavam a provocar o deleite estético, o terror sagrado ou hilaridade. e hoje, nas nossas salas de aula esquecemos de nos ensinar a pensar a coisa mais simples. o belo e o feio. o sentido estético. as nossas salas são armazéns. não são espaços de beleza. são espaços preparados para a entrada e a saída. o estar implica o desfrute do espaço onde estamos. e o belo tem esse papel. então pode um professor que não é de artes usar a arte para ensinar, questionando a noção de perspectiva na construção do conhecimento utilizando a criação de um momento belo? porque não podem as aulas ser pensadas no seu sentido estético, também. foi isso que fiz. nesta aula. criar sentidos estéticos para a minha sala de aula de onde tenho uma das mais belas vistas sobre a cidade mas que é, ela mesmo, um espaço feio. frio. ausente de beleza e carregada de funcionalidade. mas eu sou um funcionário cansado de funcionar. e por isso preciso de estar perto do belo para poder levar aos meus alunos o desejo de aprender. e por isso a minha resposta foi esta. tornar a minha aula num exercício de olhar o conhecimento enquanto observação em estado de alma em alerta para o espaço e para a apropriação visual do conhecimento. foi só um momento. mas o dia e aula ficaram muito mais belos e os alunos diziam que se sentiam num museu de arte contemporânea a brincarem aos artistas. talvez assim a história da arte não seja somente o local onde se indica as coisas belas, feias ou hilariantes das quais nada ou muito pouco sabemos...