04/10/2013

||| sobre o sorriso ou a questão dos dentes...


||| ... lembro-me perfeitamente de quando ouvi essa expressão ter ficado estranhamente inquieto. como se fosse uma regra de ouro. algo de imensamente precioso. "tens que ser duro na primeira aula. não lhes mostres os dentes". tenho, feliz ou infelizmente, uma cultura que me faz bem, mas às vezes, mal. uma cultura familiar que me ensinou que mostrar os dentes é uma coisa que fazem os cavalos. e assim se pode ver a idade e o estado de saúde do animal. como foi há uns bons anos ainda não levei a peito que me estivessem a chamar de tal coisa. ouvi só o absurdo da expressão. passados tantos anos ainda parece ser uma regra imposta como dogma essencial para o sucesso de tudo. e no entanto faço sempre o contrário. as minhas primeiras aulas são sempre as mais divertidas. as mais abertas. as mais conversadas. até coloco o humor no centro da relação que tem que nascer, que tem que criar laços e raízes, que tem que ganhar confiança. há, nas minhas primeiras aulas a noção de liberdade. e a única regra: o respeito mútuo. mais nenhuma. tenho o dever de dar aos meus alunos o benefício do exercício da liberdade plena. só assim eles podem aprender o que é a responsabilidade do sorriso aberto com que os acolho sempre. se eu perder o sorriso eles sabem que a liberdade se tornou libertinagem e as regras mudam. o importante é o sorriso. e o riso. e a gargalhada. e o brincar a sério que constrói todas as pontes para a verdadeira essência da relação entre mim e eles. entre eles e o seu professor. e o sorriso que é a porta de tudo isso...