13/11/2013

||| da dívida para com os meus alunos...


||| ... de aula para aula penso que tenho que gostar de a orientar. à aula. aos meus alunos, em contexto de aula. eu, como professor, tenho mesmo que gostar de dar aquela aula. de nada vale o exercício fútil de cumprir programa, de cumprir objectivos, de chegar ao fim de um tempo qualquer marcado num calendário qualquer e dizer: cumpri tudo certinho. sou [im]perfeito. penso as aulas para os meus alunos para quem tenho uma dívida. estou sempre em dívida para com eles. porque saio sempre da aula a pensar que podia ter dito aquilo naquele momento, que podia ter ainda feito isto ou aquilo para complementar a experiência, porque podia ter ido mais longe, exigindo um bocadinho mais. esta fotografia representa um desses momentos. se eles criaram um novo cenário partindo da leitura visual e contextual da obra de arte eu podia ter parado por cinco minutos e ter falado do autor. da sua lógica. da sua corrente de trabalho. e por vezes fica isso em dívida para com eles. porque cada aula é um momento e por muito que eu possa voltar a falar em tudo isso já não é o momento vivo da aula. aquele que é o momento certo em que o conhecimento se cruza com a curiosidade e as coisas fazem sentido. é por isso que um dos instrumentos mais importantes na função de ensinar é a observação do contexto. do momento do contexto. ali, naquele instante, faria sentido aprofundar a noção de arte contemporânea. da diferença entre ser moderno e ser contemporâneo. da criação e da arte pública. da arte para o público e da arte para as elites. do tempo histórico e da função da arte. sei que novos momentos vão surgir onde falarei disso. sei que sentiram isso e isso ficou registado na experiência de descobrir a obra. mas é destes momentos em dívida que vive a relação do professor com os seus alunos. e da superação dos mesmos, criando novos contextos para superar esta falta. e tudo isto é um universo único que representa o que de mais desafiante tem esta arte de se ser professor...