14/11/2013

||| ... do imprevisto que acontece sempre...


||| ... ó professor [e a seu tempo falarei desta forma de chamar por mim - a parte do ó, claro], nem sabe o que aconteceu. um senhor esteve à minha espera para dar resposta ao papelinho com a frase que dizia: bom dia, e que nós entregámos às pessoas na aula da semana passada. nem eu, confesso, esperava tal situação. fiquei surpreendido. ao mesmo tempo, inquietamente feliz. de todas as coisas que podia prever que fossem acontecer na minha aula ou em resposta a esta, aquela, não tinha previsto. e ainda bem que assim é. que não consigo ver para além do óbvio. que são eles, os meus alunos, que me lembram disso. que não posso controlar tudo. que há respostas em jeito de teoria do caos que me surpreendem. há nisso uma beleza infinita. e lembro rómulo de carvalho que dizia em conversa que ficou registada para a história que o que gostava mais nas suas aulas era quando surgia uma situação para a qual não tinha resposta. que a tinha que procurar ou construir. e ainda bem que assim é. que há no mistério das coisas imprevistas todo o espaço do mundo para eu ser professor e encontrar, com os meus alunos, significados. porque a lógica é fruto da descoberta. e esta é a origem do conhecimento. e esse é o único universo do professor que conheço.