05/11/2013

||| do lado certo da rua...


||| ... sou um professor que gosta muito de gostar dos seu alunos. eu gosto muito de gostar destes meus alunos. mais do que isso, respeito-os imensamente. como pessoas que são. como alunos. como seres humanos à descoberta de si e do mundo. e é para mim, sempre foi, uma honra ter cruzado o seu caminho. sei que tenho algumas coisas para lhes ensinar. pouco, talvez. mas para aprender com eles tenho uma coisa que me encanta. o seu envolvimento nos desafios de aprender. e hoje foi um dia como eu gosto. um dia bom. o primeiro dia em que a provocação superou o desafio. estava cansado de ninguém vir dizer à minha sala que os alunos não podiam fazer isto ou aquilo. foi hoje. curiosamente com uma das aulas mais altruístas que desenhei. uma aula pensada para os meus alunos tornarem os dias dos outros melhores. e tudo começa com eles, os próprios alunos: ó professor, pediu autorização para nós irmos colar isto pela escola? a minha resposta foi a óbvia: não, claro que não. mas podem ir. e foram. e passaram dez minutos e lá veio alguém dizer que não podiam andar a colar com fita cola fraquinha umas frases escritas em tiras brancas de papel. dezenas de frases. simples. alegres. que todos leram. que fizeram pessoas parar. sorrir. perguntar o que era aquilo. e o não é sempre o caminho mais fácil mesmo perante algo perfeitamente inofensivo. simples é a manutenção da ordem. não é colarem frases nas paredes dos corredores a desejar um dia feliz. a ordem. o normal. o correr igual dos dias e das horas. a alteração da rotina é uma ameaça à imobilidade. e ainda bem. é por isso que eu sou o professores deles e eles são os meus alunos que me perguntaram hoje dezenas de vezes: ó professor, e a seguir é para fazer o quê? e porque eu tenho nas mãos ser o professor que provoca/cção. é simples. é o meu dever. que seja eu o exemplo de quem quebra essa rotina castradora das ideias e rompe para além do simples correr dos dias. porque a escola precisa de ideias. de vida. de sorrisos e de pensamentos. de fazer parar os outros para ler. de fazer parar alguém para ver. e os meus alunos viram isso hoje. com um pedacinho de papel, fita cola e uma tesoura que cortou só uma coisa: a inutilidade da certeza das rotinas em que nos seguramos na falsa ilusão da certeza das coisas que nunca desejamos que mudem...