11/11/2013

||| do proibido proibir ao fazer o que não é suposto...


||| ... foi um fim-de-semana de muito trabalho. o foco estava noutro desafio realizado. o cansaço não ajuda. dormir pouco. andar com a aula sobre o silêncio sempre na cabeça. e chegar, a metros da porta da escola e não saber mesmo o que fazer. parar um segundo. andar perdido um segundo. deambular. palavra que adoro. acto que ainda gosto mais. e foi exactamente isso que aconteceu. vi isto. exactamente o que está nesta fotografia. e fui buscar aos arquivos da memória duas coisas. a primeira uma experiência que fiz com professores no museu nacional de arte antiga há uns bons dois ou três anos. e depois o imenso gozo que dá podermos trabalhar o património pelo qual passamos todos os dias sem o ver. e hoje, sinceramente, apetece-me dizer que ainda bem que não tinha nada pensado. um aluno meu que faltou à aula mas pediu no fim para lhe dizer o que havia sido feito neste dia, chamou à aula - aula aberta. gostei da designação que vou adoptar. brilhante. é isso mesmo. aula aberta. e foi a sensação absoluta de liberdade de pensamento que me levou a decidir. com o sol a ajudar, com a ideia completa, subi até ao meu lugar de descanso, eu, agora descansado que lá estaria a história para me ajudar. e assim foi... e gosto imenso de não saber de uma única ficha, questionário, dinâmica ou actividade que tenha registado num qualquer papel. para dizer a verdade não tenho nenhum arquivo. é verdade. pura e simples. não tenho um único papel ou ficheiro que use mais do que uma vez. isso obrigou-me, como professor, a criar sempre. a recriar sempre. posso pensar as minhas aulas com uma liberdade que me leva a brincar com conteúdos, objectivos e metodologias sempre com a angústia libertadora de não saber como fazer. tenho ideias. as ideias. o conhecimento. e misturar isso, só em pensamento, vale mais do que qualquer papel que possa servir-me de cábula anos a fio ou num momento de aflição pelo cansaço. valeu-me o bonequinho vermelho que me obrigou a parar e almeida garrett que me olhou em silêncio...