12/11/2013

||| do tempo de espera à espera do tempo...


||| ... como professor não gosto de voltar aos lugares comuns. mas este é o meu lugar comum. e gosto dele. da perspectiva que me dá. é como se fosse um universo em si mesmo. um espaço onde posso ver e esconder. revelar, sem ser visto. nunca gostei da sala de professores. nunca lá fui. em todas as escolas que estive poucas vezes me viram por lá. talvez para ir buscar uma chave ou coisa parecida. para me encontrar era preciso ir à biblioteca. ou a um lugar como este. não é o meu lado anti social. é a minha visão do que é um professor e do tempo que tenho para a escola. não gosto do isolamento que a sala dos professores cria do espaço comum. da ágora que deviam ser todos os espaços da escola. quando chego oiço os sons que só a escola tem. eles, a rir. a falar. a correr. a gritar ou a namorar. nós, os professores, muitas vezes em conversas ou em silêncios. para mim, quando era aluno como eles, a sala dos professores era um templo. um local a respeitar. um sacro-santo lugar onde eles estavam. eles, os professores. e nós, os alunos, em reverência temíamos lá entrar. talvez tenha sido essa imagem que me levou a escolher este sofá como o meu lugar de descanso nos intervalos entre aulas. é gosto de ver que os meus alunos ali vão falar comigo. noventa e nove por cento das vezes para perguntar: ó professor, o que é que vamos fazer hoje? ou simplesmente para dizer: bom dia. e isso é demasiado importante para ser fechado numa sala isolada do universo da escola enquanto comunidade. e agora que estamos a perder, mesmo entre nós, professores, e entre nós e eles, alunos, a capacidade e o tempo para conversar há que resgatar esse espaço comum, esse tempo comum, procurando novos espaços para o reencontro que tanta falta faz para que uma escola seja, de facto, uma escola...