13/11/2013

||| dos espaços infinitos e para além disso...


||| ... tenho sempre uma ideia em mente, como professor. uma ideia que é uma pergunta. será que os meus alunos conhecem a sua cidade? conhecer é habitar. habitar é explorar. ver de todos os ângulos e perspectivas. foi por isso que, durante o meu tempo para almoço fui visitar uma exposição presente na faculdade que já não visitava há uns bons tempos. o tema: a origem da terra. o que encontrei? uma colecção sobre o egipto, uma colecção de borboletas, uma múmia,  um esqueleto de um crânio de um dinossauro, uma vespa em tamanho aumentado a pairar sobre a minha cabeça e fosseis de uma beleza curiosa. perguntei quanto custava a visita orientada. um euro por aluno. não tenho dinheiro. a aula era daí a menos de uma hora. era uma hora e trinta e cinco minutos e eu tinha aula ás quatorze e trinta. impossível. e sem ser orientada, explicada ou afins? é gratuito. a conversa durou, talvez, dez minutos. e achei, como acho sempre, que quem está num espaço museológico tem um profissionalismo e uma dedicação muito grande. e foi assim que no espaço de uma hora decidi levar lá os meus alunos. visitei em cerca de quinze minutos e desenhei um plano. a identificação com uma peça. sem explicações. em silêncio. qual a peça que lhes despertava maior interesse, curiosidade, espanto. escolher uma de todas as que estão presentes na exposição. ó professor a múmia é verdadeira? ó professor viu as borboletas? ó professor aquele esqueleto do dinossauro é verdadeiro? temos que escolher uma ou podemos escolher mais? foram para ver. não foram para serem orientados. e com tantas perguntas foi possível responder a cada uma delas. falta o enquadramento histórico e científico das respostas. isso tenho tempo para o fazer. gostei da experiência. eles, observadores. seleccionadores pelo olhar. pela dúvida. sem orientação. e o técnico do museu estranhou tanto. mas senhor professor não seria bom eles terem um enquadramento teórico? científico? explicar o que estão a ver? respondi o que observei: assim o farei, depois, ligando interesses, descobertas e dúvidas. em conversa. eu converso muito com os meus alunos. no final, de tanto estranhar o silêncio que reinou na visita e esta abordagem perguntou: posso saber o seu nome? e eu disse. e ele agradeceu ter tido uma abordagem diferente no seu espaço que não estava à espera. nem ele, nem eu, nem eles. e a múmia ganhou a todos os outros...