20/11/2013

||| a máquina sabe mais do que homem da minha rua...


||| ... um texto. quero dar aos meus alunos um texto para lerem. não, não é isso. é mesmo para lerem. para perceberem como foi construído. quem o escreveu. porque o escreveu. ando à procura. de um texto para ser lido. primeiro em silêncio, depois em voz alta. depois, lido. por cada um. porque sinto uma necessidade urgente de ver que os meus alunos lerem um texto para além do óbvio. do que conseguem encontrar nas letras juntas que foram um melodia lógica. e hoje, em tempos de uma contemporaneidade acelerada pela percepção imediata das coisas, simplificadas, quero dar-lhes um universo mais complexo. aprofundar o pensamento. criar dúvida. questionar. ensinar-lhes a lerem para além do óbvio. o texto. esse, importa. como qualquer coisa que escolho para eles. não é nunca a primeira imagem que aparece num ciberespaço desregulado. nem um texto copiado e colado. é um texto. uma imagem. de autor. no original. em folha preparada. em forma criada. em jeito pensado para desafiar o raciocínio. o simples, o imediato ficam longe, nesse momento. porque é na escolha que eu me diferencio do mundo lá fora, fora da sala. e essa escolha foi a razão pela qual abracei esta profissão de ser professor. porque no meio de tanto lixo há obras de referência, há imagens e textos diferenciadores. há lugar para o bom e o muito bom. o diferente em vez do igual. e por isso procuro agora um texto. não. procuro o texto. aquele. aquele único que me vai permitir fazer o que quero. irei demorar horas. dias, talvez. nessa procura. mas o óbvio e o simples não são os caminhos de quem ensina. podem ser os caminhos do mundo. nunca, de quem ensina. o texto, esse, surgirá. claro. imenso. inquietante. para ser lido...