12/11/2013

||| nove fora nada dá nada que se lhe valha...


||| ... não irei transformar este espaço no que não quero. não quero partilhar aqui as coisas que não são educação. mas não resisto a deixar a minha posição pessoal no contexto que me cerca [que nos cerca] neste momento. falo da avaliação, da prova de competências para a docência e mais mil e uma formas de avaliação do que quer que seja. e por isso este será o único texto inútil que farei sobre isso. não sou contra avaliar seja o que for. acho que é preciso porque pode ser visto como um instrumento válido de análise sobre o conhecimento. sou contra e sempre serei que isso seja um fim em si mesmo. isto para os nossos alunos será algo irreversivelmente terrífico. a vida é feita de testes. é. mas não da mecanização das respostas. a teoria do caos prova o contrário para aqueles que da sua sapiente ciência falam. preparar um aluno não é criar e educar um papagaio. é construir uma pessoa. porque eles antes de serem alunos e nós antes de sermos professores somos pessoas. pessoas. e ser humano não é ter. é ser. não é ter respostas para tudo. é não saber e ter dúvidas. é procurar saber. é ser curioso. e estamos a roubar isso ao futuro deles e nosso. nós ao fazermos da escola uma máquina de reprodução de respostas automáticas e eles ao assumirem que o erro, esse elemento fundamental para a aprendizagem, é ter uma cruz a vermelho numa linha qualquer. é fácil saber o que se espera de tudo isto no futuro. homens e mulheres que obedeçam. homens e mulheres para quem o erro é algo castrador. é assim será muito mais fácil mandar. porque é isso que nos estão a fazer. a mandar em nós e neles. não a governar. governar é outra coisa. e por isso sou daqueles professores que nunca pedi a minha avaliação para ser excelente. sim, fui prejudicado. cheguei naquela fase do absurdo a ter nove e ser classificado com bom porque não pedi para ser avaliado e tudo aquilo que implicava, desde as aulas assistidas a tudo o resto. não pedi e não peço. mas o sistema ganhou e a coisa ficou. e ainda hoje me pergunto do tanto e dos tantos que ouvi que eram contra uma avaliação incapaz de avaliar que hoje pedem e aceitam tudo isso. resistir é sempre mais difícil do que ceder. contra mim falo que todos os anos me prejudico mas faço-o porque um dia tudo isto irá passar de tão absurdo que é. e para terminar, a prova. sinceramente ainda estive do lado utópico [e estou] porque gostava de uma vez na minha vida assistir a um acto único de desobediência civil. este é agora o meu estado de alma. estou em desobediência civil. em esperança queria ver que ninguém fosse fazer a prova. mas a realidade já me mostrou no passado que por mais licenciaturas, mestrados e doutoramentos que haja num grupo de pessoas é a consciência cívica o elemento mais importante. e a luta pela causa comum. e por isso tudo me prende em suspenso. num misto de desejar e dizer que vai ser agora que se mostra a quem manda o que deve ser governar. e por outro a realidade da história mostra que essa visão romântica tende a só acontecer em momentos únicos da história guiados por uma transcendência qualquer que ninguém sabe depois descortinar. por isso, resta-me desejar uma coisa. como muitos, se tiver que fazer a dita prova, provarei. sim, em jeito de uma desobediência ainda maior. serei brilhante. tentarei ser brilhante. ser muito melhor do que sou. mostrar que para se ser professor não é preciso escrever umas coisas num papel sobre o que é ser professor ou sobre o que estudei e estudo todos os dias. se tiver que ser irei lá e farei a prova para ser avaliada acima de excelente. e talvez assim, se todos nós formos brilhantes o absurdo de tudo isto seja maior do que a realidade e se calem todas as vozes que ensurdecem a nobre arte de governar democraticamente... 

e sobre isto, nada mais direi.