15/11/2013

||| o problema é que não está escrito em letras pequenas...


||| ... fui ler. de tempos a tempos regresso ao programa que dizem que tenho que cumprir para ver se os meus caminhos estão longe ou perto do que desejavam ver transferido para os meus alunos. deparei-me com isto: a construção do conhecimento ou o fogo de prometeu. tema, chamam-lhe. fiz depois o que todos fazemos embora com intenções diferentes. fui navegar no ciberespaço. e lá estavam. manuais, testes, fichas, powerpoint's e toda uma bateria de coisas criadas sobre isto. eu só pensei numa coisa. e ainda bem que este não é um tema [como lhe chamam] que eu tenha que trabalhar. lembrei-me de ícaro. de propor aos meus alunos criar umas asas gigantes forradas com fotocópias do programa da disciplina e fazer como ícaro. não como prometeu. porque a mensagem da história de prometeu é um pouco menos relevante do que a vontade e lições morais do voo imperfeito. mas voltei a tentar. e voltei ao programa. volto sempre. estou sempre atento a isso, principalmente em história a que me ligo de forma quase umbilical. se os temas [palavra assustadora neste contexto] se alargam para além do tempo possível, pior são as recomendações. leia este texto, veja este filme, visite este museu ou espaço, faça isto, aquilo, ou então isto e mais aquilo. e volto a pensar nas asas de ícaro. e na facilidade com que me seria fácil cair no mesmo erro se tivesse que criar um programa. mas leio e releio tudo outra vez. os temas [que deviam ser assuntos] e guio-me pela minha razão. tudo o que vi nesse espaço virtual me leva a pensar que as recomendações se tornaram obrigações. por isso, vou aos clássicos e salva-me maria helena da rocha pereira. abro um livro. palavras belas. imensas. tantos assuntos e tão poucos temas. estou salvo. prometeu versus ícaro. não importa. nem grego nem romano. clássico. belo. e recrio, olimpo ou qualquer coisa parecida. mas as asas de ícaro fazem mais sentido do que tudo o resto. e vou por ai. fecho o ficheiro virtual do programa impossível e não sei para onde vou, não sei como vou, sei, como o poeta, que não vou por ali...