27/11/2013

||| o riso é a fraqueza, a corrupção...


||| ... não há progresso, não há revolução de eras, na aventura do saber, mas, no máximo contínua e sublime recapituação. para quem tem a obra de memória sabe que esta frase só podia vir de uma das personagens mais emblemáticas da obra de umberto eco. jorge. como professor encontro muitos igual a ele. em todo o lado.  gosto muito desta personagem. tanto como gosto de guilherme em oposição. e tuo isto porque vou dar uma aula a serralves. uma aula-atelier. uma fábrica de sons. a próxima aula será isso. lá. naquelas salas. entre aquelas salas. naqueles espaços. e há algo na frase do venerável jorge que me prende a atenção. tal como pierre bourdieu o toma como certo. uma sublime recapitulação do saber. como professor esse foi sempre um caminho pelo qual tentei não ir. mais do que repetir o que aprendi procuro questionar ensinando o que aprendi. complexo? pois é. as minhas certezas sobre o que aprendi alguns anos de estudo são mínimas. as dúvidas, imensas. e por isso procuro questionar o que sei ensinando isso e o processo para o desconstruir. e é isso que vou fazer com os meus alunos para serralves. desconstruir o que sabemos já. o que já aprendemos. fazer um teste a essa capacidade de desconstruir. tirar o tapete. desafiar. e ter o museu como sala de aula dá-me essa possibilidade imensa de criar uma aprendizagem em contexto que não o posso fazer em sala de aula. e a arte contemporânea permite ainda mais essa liberdade da inexistência do erro. do lugar da experimentação. talvez isso seja uma aula, um lugar onde gostem de estar, como eu gosto de estar em serralves como se todo o espaço fosse uma imensa sala de aula...