13/11/2013

||| a toca do coelho da alice está maior...


||| ... os meus alunos estavam a ler um texto de maria luisa ducla soares. a seleccionar frases, texto e contexto. para um trabalho de recriar pela dramatização em quinze minutos uma história. normal? sim. a única questão é que a leitura do texto estava a ser feita através do visor de um telemóvel. não por um livro. não numa fotocópia. no telemóvel. não me incomoda porque o texto não é o essencial neste desafio em que estão a trabalhar. mas é assim com toda a informação. à distância de segundos lá está, disponível. eu ainda a tenho em mim. a informação. fragmentos, por vezes. pedaços inteiros de dados, em muitos casos. acedo com menos rapidez do que eles. a memória vai falhando. tem uns bugs de vez em quando. mas lá está. a ocupar espaço. sim, espaço. porque a informação ocupa espaço em nós. como o passar das coisas, por nós. ocupam espaço em nós. e uso-a para ensinar. essa informação. essas memórias. mas ultimamente tenho-me perguntado muito seriamente. e eles? o que acontece a uma pessoa que tem a informação fora de si. o que acontece a esse espaço do cérebro que fica livre. duplica tarefas [e a verdade é que eles e nós somos cada vez mais multitasking - embora eu cada vez mais me sinta um dr jekyll and mr hyde nesse campo]. tenho estado muito atento. se o tempo de atenção diminui a capacidade de fazer mais em menos tempo aumenta. mas menos co-relação entre informação acontece. e isto, para ensinar e aprender, muda as regras. e eu tenho pensado nisso. para onde vai toda a potencialidade dessa libertação de espaço que estava reservado à informação? sinceramente trabalho todos os dias para que seja ocupado pela imaginação. assim seja... espero.