12/11/2013

||| uma aula aberta ao património esquecido...


||| ... pedagogia: valorizar o património desconstruindo a sua relação com a indiferença do espaço e tempo de uma comunidade tem como base uma apropriação completa dos monumentos vistos como elementos incompletos onde a arte e a intervenção contemporânea podem explicar contextos, histórias e identidades.

||| ... metodologia: esta é uma metodologia de «aula-aberta». todo o processo de apropriação do património monumental passa para o processo criativo dos alunos por via de desafios directos. é trabalhada a questão da apropriação individual e colectiva [enquanto turma]. o professor desenha um percurso por cinco estátuas da cidade. este percurso tem que estar muito bem definido pois será a partir dele que toda a aula vai [ou não] fluir. se possível escolher estátuas de figuras individuais e colectivas. ou baixos-relevos. escolhidas as estátuas e definido o percurso o professor começa por definir que o desafio será feito primeiro individualmente, depois em pares, depois em grupos de três elementos, depois em grupos de cinco ou seis elementos e para último deixa a divisão da turma em dois grandes grupos. das cinco estátuas que são simultaneamente cinco paragens de cinco a dez minutos e cinco desafios o professor desenha e explica, em cada paragem, esses mesmos desafios. o primeiro, individual consiste em representar com o corpo a posição que a estátua apresenta. obriga os alunos a perceberem a relação entre o real e o figurado/encenado, assim como, a mestria do escultor/criador para a modelação das posições do corpo. o segundo desafio numa outra paragem/estátua é feito em pares e deve permitir a interacção entre os alunos que devem replicar a imagem da estátua em conjunto. este desafio permite trabalhar a noção de proporção e tomada de decisão, assim como analisar a relação entre a mensagem intrínseca e o significado. a terceira paragem representa o primeiro desafio criativo para os alunos. em grupos de três elementos os alunos são convidados a criarem uma primeira representação sua da mensagem que uma nova estátua lhes transmite. são aqui trabalhadas as questões da identidade, da mensagem histórica e da cultura social. na penúltima paragem e estátua os alunos são convidados, em grupos de cinco ou seis a criarem um elemento estranho à estátua que observam. esta paragem permite trabalhar o contexto e a coerência na obra de arte e na temporalidade histórica do património cultural em espaços públicos. por fim, na última paragem e estátua a turma dividida em dois grandes grupos é desafiada a completar o cenário/elementos que formam o conjunto monumental  esta intervenção permite uma apropriação do património e uma leitura do universo histórico e social do seu enquadramento.

||| ... esta aula tem como tema: o património público e a identidade cultural, social e histórica. muitas vezes descurada e esquecida a relação entre as estátuas colocadas em espaços públicos e a apropriação da mensagem histórica permite uma releitura dos espaços do quotidiano e uma valorização do mesmo. é uma aula-aberta onde, de facto, a liberdade de criação por parte dos alunos deve ser valorizada e impulsionada.