10/12/2013

||| 1x2 quem ganha é o sistema...


||| ... sentei-me e em exactamente dezassete minutos e meio despachei grelhas de avaliação. achei, como acho sempre, um processo inútil. e mais, na última aula que dei a algumas turmas, não falei de avaliação. nem notas. nem nada. foi uma aula sobre o sorriso e o que queremos dizer aos outros [e como o fazemos por diferentes modos de comunicação e interacção social]. a comunicação é sempre um conteúdo fértil para aulas muito diferentes. e esta era a última de um período de tempo marcado pela descoberta. de que valeria estar a falar-lhes de notas. de números. sou sincero, isso fica para o futuro. deles. nesse tempo futuro os números serão algo que os define [espero que não]. mas hoje, comigo, professor deles, é assim. antigamente [não tão antigamente assim] perguntavam o nosso nome e nas fichas do sistema o nome vinha em primeiro lugar. agora é o número. desculpe, pode indica-me o número de onde está a ligar? pode dar-me o seu número de identificação? pode indicar-me o número para lhe poder dar uma resposta personalizada? isso é tudo o que não quero na minha sala de aula. ali eles são eles. os rostos, os nomes. e se querem concorrer entre si podem ser competitivos pela melhor ideia [se é que há melhor], pelo sorriso que deixam nos outros, pelo espanto ou por aprenderem, como ontem o fizemos, de como a arte contemporânea pode recorrer ao conhecimento do ser humano para trocar as voltas à nossa percepção sobre a realidade. as notas? este modelo artificial de classificação fica para aqueles que acreditam que valemos [só] um número. eu não. eu sou professor. importa-me o conhecimento. importa-me o desafio de os fazer pensar. importa-me o lugar da ciência e da descoberta. importa-me fazer deles pessoas curiosas. e isso não se mede. sente-se.