04/12/2013

||| ai que me esqueci das chaves...


||| ... reparei recentemente que passo grande parte do meu tempo enquanto professor a relembrar os meus alunos de trabalhos que devem entregar, coisas que devem ler, etc. este ano decidi que não o faço. o resultado? os meus alunos lembraram-se a quatro ou cinco dias da data de fim de período que havia trabalhos que foram indicados no princípio da nossa convivência em comum que estavam por fazer. e ó senhor de matosinhos dai-nos uma ajuda que o tempo passou. conclusão para mim: lembraram-se. fiquei feliz. o resto é ter costela portuguesa e tudo ser feito em cima da hora. uma regra de outro para a criatividade e uma regra de ouro para a imperfeição da solução encontrada. mas lembraram-se e fiquei feliz. a preocupação com o que vão entregar é relativa. e eu decidi que o meu papel como professor não é ser aviso constante de responsabilização. se quero mesmo ensinar a autonomia essa implica responsabilidade. e como apresentei o trabalho final de período: simples. pensem em alguém que admirem imenso. para além da admiração lógica. e digam-me tudo o que sabem sobre ele ou ela. a questão fundamental? o trabalho não pode ser escrito. pode ter qualquer outra forma. não pode ser escrito. parece simples. não é. nada mesmo. é um desafio que permite analisar o que apreenderam em todas as aulas deste o começo do ano. e como o ministério que me tutela também alarga prazos e coisas que tais, dei o exemplo e em vez de me entregarem na aula podem entregar até ao final da semana. a vida real nem sempre é assim mas pronto, é natal. e eu espero mesmo que aquele pânico de última hora dê num resultado criativo como só eu sei que eles são capazes de fazer... veremos se estou certo ou errado. agora já sei que não sou um professor post-it [note] e isso deixa-me imensamente feliz porque fico com tempo para tantas outras coisas muito mais úteis. porque ser professor é também esperar mais dos nossos alunos. esperar que eles se organizem ao ponto de se lembrarem. na vida, na vida fora da escola, é assim. ninguém se lembra por nós. ninguém nos lembra do que temos que fazer. e eu sou professor. e posso, simplesmente, ensinar tudo isso. isso tudo. só isso. e esperar...