10/12/2013

||| be happy...


||| ... da motivação. do interesse. a disciplina de história não é interessante para uma geração de futuro. o tempo de atenção dos nossos alunos é pequeno. não se interessam por coisas que não sejam do seu universo. temos que fazer um caminho até eles. durante anos ouvi isto. oiço ainda. os meus alunos não se interessam por nada. oiço, constantemente. e do outro lado está sempre aquele imenso mito da motivação e do interesse. eles, com um botão de on e off no braço que eu controlava e ligava o interesse para participar e a motivação para aprender em cada momento. digo sempre que isso será no futuro em que deixaremos de ser pessoas. os meus alunos, como eu, ainda temos vontade própria. e ainda bem. ainda bem que não agrado a todos. ainda bem que as minhas aulas não são interessantes para todos. e ainda bem que muitos desligam durante um aula. são humanos. são pessoas. o mito da motivação é uma das mais perigosas coisas que encontro na educação. e tropeço nela vezes sem conta em textos, desejos e comentários. eu tenho uma regra de ouro que cumpro sempre. parto para cada aula sabendo que terei que fazer o esforço inicial de cativar quem está ali porque tem que estar. não os tomo nunca por desmotivados ou motivados. estão ali, como eu, para ver o que aquilo vai dar naquele dia em ligação com o dia seguinte e o dia depois do outro. nunca começo uma aula tendo em mente a garantia que os meus alunos estão sintonizados na minha aula. às vezes, nem eu estou. dou sempre uns minutos para o burburinho se instalar e depois passar. e parto para cada aula com o desejo único que aquele tempo seja bom para eles e para mim. eu estou a trabalhar. é a minha função. é o meu trabalho. mas é também o meu tempo como professor. e como pessoa. a minha aula também tem que me cativar. não é só a eles. e por isso muitas vezes arrisco mudar tudo o que tenho como certo. ou o que tinha pensado muda de um momento para o outro. eu construo esse tempo no tempo em que acontece. sou um professor que gosta das aulas que dá. gosto de as pensar. penso-as inteligentemente [com aquela dose que me deram desse produto] e penso-as sentimentalmente. penso-as para os meus alunos reais e nunca para alunos em abstracto. nem para turmas. para eles, aqueles. e penso-as para eu as atravessar também. ser também caminhante daquele tempo. sejam elas mais teóricas ou mais práticas. sejam elas desafios ou problemas. o mito da motivação é uma das maiores falácia do nosso tempo e tem um risco imenso. é que seja um tiro no pé. por isso esqueci isso. nem interesse nem motivação. participação e envolvimento. é com isso que jogo em cada aula. é isso que faz com que goste das minhas aulas e tente que os meus alunos gostem também. e mais do que isso, que eu e eles, no final de cada aula, sejamos mais ricos porque aprendemos mais um pouco. é extenuante. mas é melhor do que pensar qualquer ser humano como uma máquina de auto-motivação...