05/12/2013

||| da dúvida sobre as coisas simples...


||| ... cada vez mais me confronto com a dificuldade dos meus alunos em trabalharem num registo simples. um desafio simples. uma proposta de trabalho simples. um projecto simples. uma resposta simples. e tenho pensado muito nisto. a verdade é que as imagens que [n]os cercam não lhes tentam dizer alguma coisa. tentam vender-lhes alguma coisa. seja uma experiência, uma promessa ou uma tentação. a somar a isto um mundo virtual que lhes oferece imagens construídas para além da realidade. como se o real não fosse suficiente. não falo directamente dos meus alunos porque tenho a sorte de ter nas minhas salas de aula pessoas inteiras para quem a vivência ainda é maior do que o registo da mesma sob qualquer forma que não seja a real. mas observo. na rua, nas escolas, nos espaços públicos, o universo real visto quase sempre pela forma de um quadradinho digital ou simplesmente "melhorado". ao ponto da inovação ser a realidade aumentada ou melhorada. e como acho que a escola e um professor deve ser sempre um homem no seu tempo com um pé no futuro, acompanho, observo, penso. acho isso fundamental num professor. ser um pensador para além do agora. só assim pode orientar e desenhar soluções úteis em contexto de processo de ensino que tenham alguma validade e utilidade para os seus alunos. estar atento e pensar o caminho de uma civilização, dos modelos sociais, dos ritmos e enquadramentos do trabalho é um papel que cabe, sem dúvida alguma, a quem se intitula professor. a razão é simples: estamos a ensinar para o futuro e não para o passado. este acto de estar atento é tão fundamental para o trabalho de um professor como todos os outros. os alunos esperam isso de nós. que tenhamos uma visão do que pode ser o futuro para os ajudarmos. e se ter essa visão é tão importante, não o é menos a forma que tem a nossa utopia pessoal. o que gostávamos que o futuro fosse. essa partilha, do nosso desejo, da nossa forma de ver e de querer o universo social de futuro é o nosso legado para eles. da diversidade de todas as visões de todos os seus professores será possível a cada um deles criar uma utopia própria. lutar por ela. desistir [ou não] dela. mas ter. uma ideia, um modelo, um desenho de futuro, seu. é por isso que ser professor não é fácil nem é para qualquer um. a escola devia ser uma oficina de futuros. e os professores os seus arquitectos. só assim, por ordem de razão das coisas, poderemos ter um futuro que não seja só o reflexo do presente. tudo isso começa todos os dias, todos os momentos em que se [abre] fecha uma porta de uma sala de aula e se começa a pensar em conjunto...