14/12/2013

||| o pensamento de liberdade reduzida...


||| ... no meu tempo [para parecer velho e sábio] havia espaço para estar só. e para estar desconectado [esta era daquelas palavras que não existiam]. hoje, nem eu, nem eles temos esse espaço se não o conquistarmos ou reclamarmos. já dizemos: vou estar off. como se tal fosse uma reclamação perante o mundo. eu faço isso com maior facilidade do que eles, os meus alunos. mas preciso, como eles, de o reclamar. é que há um paradoxo nisto tudo. para eu estar comigo preciso não estar com os outros. posso estar comigo e com os outros. mas há um grau de introspecção que só tem lugar nesse espaço de isolamento agora a ter que ser reclamado. mas como se ensina isso? é que o simples acto de eu reclamar momentos como estes está relacionado com o facto de os ter vivido já e de os compreender como úteis. e eles? os meus alunos que nasceram num espaço de tempo público e publicado. num tempo da partilha identificada e permante do estado de alma ou do simples acto de qualquer coisa ser feita. como podem eles reclamar essa acção se ela contém em si mesmo todo o desconhecimento do que, com esse tempo e esse espaço, fazer? e penso nisto porque quero que os meus alunos sejam pessoas para quem todos os tipos, formas e estados de alma sejam instrumentos de inteligência sobre o mundo. porque alguém tem que lhes falar disto. desse universo único e individual que cada um é neste matagal de outros que nos habitam neste tempo de agora...