06/12/2013

||| da lei que alguns se libertam no tempo que habitamos...


||| ... não conheci alexandre, o grande. gostava de ter vivido o seu tempo. não sei a razão, mas gostava. assim como gandhi. também gostava de ter vivido o seu tempo. falo deles nas minhas aulas mas com a distância da palavra do homem que estudou história. mas falava de mandela com uma diferença. habitei o seu tempo. tive esse imenso privilégio. e sinto que com ele morreu uma parte da história e do correr do tempo da esperança. morreu uma forma de estar no mundo. morreu o século vinte e uma parte do sorriso que nos torna humanos. hoje ao pensar a aula que vou dar na próxima segunda-feira fui fazer uma ronda pela internet e pelas redes sociais [conceito que não entendo]. e o que vi foi o que eugénio de andrade tão bem descreveu: apetecia morar naquele sorriso. o de mandela. quase todas as fotografias reservaram esse legado. o do sorriso. de um homem bom. de um caminheiro que fez o seu caminho, com e sem erros. humano, como todos nós. e pensei logo nos que hoje usam barbaridades ditas ou escritas para aparecerem ou serem comentados. e apetecia-me levar-lhes aquele sorriso e dizer que ser humano é ser tudo aquilo. aquilo que aquele homem deixou para além da história. e levar isso para os meus alunos é mais do que uma tarefa. é uma obrigação. num tempo em que perdemos homens destes resta-me, como professor, dizer-lhes que é o sorriso e não a bestialidade das palavras que fazem o futuro. para que um dia, no século vinte e um em que vivo e habito, possam os homens ser mais livres e o mundo mais fraterno [uma palavra que está a morrer]. e que possamos todos ter a força que tem um sorriso justo, calmo e pleno de um ser humano...