13/12/2013

||| quem seremos depois de hoje...


||| ... às vezes, como professor, esqueço o meu lado para além disso. disso que, no fundo, é uma função, somente. talvez não seja esquecer. seja reservar. guardar. mas cada vez mais percebo que cada vez que o faço mais o revelo. e lancei um desafio aos meus alunos no início do primeiro período de tempo em conjunto. escolham uma pessoa que admiram. falem-me dela/e mas sem ser por escrito. é este o vosso trabalho para três meses. podem fazer tudo, de todas as formas, mas apresentem-me essa pessoa. e não disse mais nada. nem pedi para serem criativos. somente não lhes dei regras, limites ou linhas de rumo. dei-lhes liberdade. total. só limitada pela condicionante da palavra escrita. o resultado foi depositar toda a minha confiança neles. e assim foi. e esperei. o que nasceu? uma página de facebook inteiramente criada para falar de uma personagem, um puzzle em jeito de guia de vida, músicas cantadas pelos alunos, colagens de fotografias, um caderno com todos os cortes de cabelo durante a vida de um cantor, uma homenagem belíssima a uma pessoa da família, fotografias encenadas, fotografias modificadas para a semelhança com a pessoa escolhida... e tantas mais coisas. de qualidade. com dedicação. e vi, como professor e como pessoa, que o que dou em cada aula me era retribuído em cada trabalho. e nestes momentos acreditamos na escola. acreditamos nos alunos. acreditamos que tudo ainda é possível porque o que está errado é um sistema que não acredita, não confia e não coloca as pessoas em primeiro lugar. é que isto, sem humanismo, não tem piada nenhuma. e hoje sou mais pessoa do que professor. e foram eles, as pessoas que ocupam a minha sala de aula comigo que me gritaram bem alto tudo isso. obrigado a cada um deles por isso. obrigado, uma vez mais.