18/12/2013

||| dos lugares humanos do ser pessoa...


||| ... começa a reunião. tenho o privilégio de estar a falar de uma escola onde os professores não são funcionários e onde a arte e o conhecimento são presenças constantes. e fala-se dos alunos. e de projectos. tenho essa sorte. não deixo, no entanto, de pensar que estamos a ver cada vez menos pessoas onde estão os nossos alunos. as grelhas, as notas quantitativas, o desenho mental de um estereótipo e a dimensão técnica transformaram-se em materiais de afastamento do lado pessoal de cada aluno. quando chega, chega pela família. os retratos sociais. num tempo complexo, retratos sociais complexos. mas os alunos não são só alunos. nem são só peças de um quadro social que os condiciona mas não determina. cada vez menos vemos pessoas. cada vez mais vemos alunos. confundimos a função com a essência. dispersamos o futuro nas análises técnicas de presente. somos exigentes ou facilitadores. damos notas. classificamos. e dispensamos aquilo, a matéria de que todos somos feitos. pessoas. e os alunos são diferentes com cada um dos professores. é normal. são pessoas em contacto com uma outra pessoa que também é diferente de todas as outras. e falamos de comportamentos diferentes, caso a caso. os meus melhores alunos são, geralmente, os mais irrequietos dos outros. é normal. eu preciso dessa inquietação que os outros dispensam. o exercício de olhar para os alunos como pessoas, para além do hoje é cada vez mais difícil. é normal. em tudo somos cada vez menos pessoas. cada vez mais elementos integrados numa função. somos cidadãos, contribuintes, consumidores, pacientes, utentes, utilizadores, clientes, professores e alunos. funções. e ao fechar-se a porta de uma qualquer reunião trago sempre isso comigo. somos cada vez mais de tudo. e cada vez menos, cada um de nós, uma pessoa no seu tempo e com o seu futuro livre, limpo, sem função definida mas em construção. e penso nisso...