11/12/2013

||| essa gente, esta gente...


O que é preciso é gente
 gente com dente
 gente que tenha dente
 que mostre o dente
Poema aqui.

||| ... tens uma caneta azul? não uso, desculpa. tens uma caneta vermelha, tenho testes para ver a minha falhou. não uso, desculpa. tens qualquer coisa que escreva? tenho. uma lapiseira. então como é que corriges os testes? não corrijo. então? não faço testes escritos. não? não. então e os trabalhos? faço anotações a lápis. a lápis? e se os miúdos apagam? [por momentos parei de respirar] se apagam, apagam. então e se alteram? [parei novamente de respirar sob o imenso risco de não voltar a respirar novamente]. alteram. mas... e acho que não conseguiu perguntar mais nada. fui salvo por uma alma que entrou e que tinha uma caneta vermelha. nova. brilhante e bonita. lá fiquei a pensar em tudo aquilo. principalmente numa coisa. na confiança perdida. perdemos de tal forma a confiança nos nossos alunos que se fosse possível inventar uma caneta permanente de tinta eterna seria um negócio muito rentável. eu lá continuei na minha. lapiseira e anotações. confio neles. mesmo que venham a apagar tudo o que escrevi. mesmo que venham a alterar tudo o que anotei. não serei eu a não lhes ensinar que o mais nobre gesto [e também o mais fácil de quebrar] é o da confiança entre um aluno e um professor. e isso está nos mais pequenos gestos que fazemos...