11/12/2013

||| nem eu sei onde aprendi tal coisa...


||| ... não sou um professor criativo. sou um professor cada vez mais pragmático. a única vez que tive uma ideia original e a implementei em contexto educativo, o orçamento não chegou, tive um processo disciplinar, pouco ou nenhum reconhecimento, perdi amigos e tudo porque consegui criar uma coisa que, para quem a viveu, foi para além do que alguma vez tinha sido feito e mobilizou quase quatrocentas pessoas num lugar longe de tudo. errar é sempre uma coisa que fica bem aos outros [a mim]. tentei. não errei, experimentei e acreditei. e isso não é permitido no sistema. experimentar. ou acreditar. por isso desisti das ideias originais. as que tenho guardo-as num bloco de notas que um dia será esquecido. tudo isto porque os alunos me perguntam: ó professor, onde é que vai buscar tanta ideia para as aulas? em jeito de brincadeira respondo o que me apetece na altura. a verdade é que cada ideia ou estratégia que utilizo em contexto de aula resulta de trabalho. não é trabalho no sentido de ter trabalho. é no sentido de ser trabalhado. foram coisas que vi, vivi, experimentei, pensei, ideias que troquei com outros, conversas tidas noutros contextos, reflexões de algum tempo passado num espaço, observações que fiz sobre o comportamento dos outros, pensamentos tidos dos minutos que, por vezes, passo sentado num lugar ou em viagem a observar os outros. e de conversas porque aprendi a rodear-me de gente que fala de coisas e não de não-coisas. gente bonita com ideias. e com tudo isso recrio actividades para ensinar qualquer coisa. o que para mim é importante como professor é que cada actividade tenha fundamento. tenha uma razão e uma lógica. por isso procuro sempre experimentar tudo o que de melhor se faz. de um museu a um lugar de ciência experimental. de um concerto a uma peça de teatro. e com isso consigo transferir para conteúdos de um programa que me indicam para cumprir estratégias que possam tornar o conhecimento um espaço de experimentação e reflexão. é por isso que depois de cada actividade realizada envio aos meus alunos num espaço on-line criado para o efeito a referência do criador da ideia cuja actividade experimentaram. é importante conhecer as fontes. quem criou, porque criou. eu, professor, sou assim só o provocador, o meio de transporte das ideias. e não é isso que é ser professor?