03/12/2013

||| ó professor, como é que nos vai dar as notas...


||| ... zero a vinte. zero a cinco. zero a cem. escalas. nomes numa folha de excel. nomes numa pauta [e só consigo associar o termo a pauta de música]. uma lista [pior] e ainda a procura de os nivelar [conceito assustador]. dar um nível. julgar. avaliar. está quase a chegar esse momento em que terei que colocar um número em frente a um nome. uma forma invisível de ver os alunos. por números. num número. problema. não fiz testes. ó professor, não faz testes como é que nos avalia? a resposta é simples. cada aula é um teste. um desafio. e faço o registo no final da aula. mental ou menos no meu caderno de anotações. escrevo: a evoluir nisto e nisto. ou atingiu isto e isto falta isto e aquilo. o nome, o primeiro só. sem escala. só uma reflexão. um pensamento de estádio de evolução. de onde estão e para onde vão. e onde estão nesse caminho e o que eu tenho que fazer para os acompanhar. sem números. e gostava de ter uma aula só de avaliação. avaliação, não. reflexão. de poder falar com eles, um a um e dizer: conseguiste atingir isto. evoluíste aqui, aqui e aqui. falta-te trabalhar isto, isto e aquilo. é isso que vamos fazer no próximo período. tens que investir o estudo e treino aqui, aqui e ali. mas não. estamos reduzidos a tabelas e não a conversas. e a uma coisa aberrante chamada [síntese descritiva] onde se coloca tantas vezes: estás no bom caminho, deves continuar a estudar. num copy paste sem identidade. trocava tudo isso porque cada professor pudesse ter uma só aula para reflexão com os alunos. um a um. uma conversa. sem números ou comparação. porque a avaliação se faz tantas vezes por comparação e não por evolução. não posso dar dezasseis a este se o outro tem quinze. e que importa. não estou ali para comparar. estou para analisar a evolução. a construção do aluno num caminho que está a fazer. trocava todas as tabelas, pautas e afins de inutilidade visível [mas muito úteis para o modelo social que hoje temos] por essa conversa aberta. essa reflexão sobre a caminhada. esse desafio dito e visto em conjunto. esse tempo de construção que tanto falta. é tão mais simples dar um número que vale só um número do que conversar sobre o que se aprendeu e o que falta aprender. porque ser professor não é dar números. não é trabalhar com números. é trabalhar com o conhecimento e a aprendizagem. e o momento de avaliação devia ser mais um passo nesse caminho e não uma medição comparada. por isso, uma das minhas aulas será feita assim. vou conversar um a um com os meus alunos. olhando para o meu caderno de anotações. dizer-lhes onde estão no seu caminho e no meu caminho. se estamos a caminhar juntos ou separados. se estamos próximos de aprender mais ou não. que se lixe a tabela. os números não são pessoas. e um dia isso será mais do que óbvio.