03/12/2013

||| o que conseguimos imaginar conseguimos fazer...


||| ... sempre defendi que uma visita de estudo não é um passeio. pode ser, mas então é um passeio. por isso defendo, como professor, que sempre que penso numa aula fora de portas o penso, efectivamente como uma aula. tem que ser um desafio. tem que enriquecer. tem que provocar. e acima de tudo tem que fazer pensar para além do que se faz em contexto de sala de aula. assim o fiz nesta aventura de levar os alunos a serralves para um desafio de imaginação e som. o resultado? podem ouvir clicando aqui. nove máquinas inventadas. num atelier [dos mais antigos do serviço educativo de serralves] os alunos são desafiados a criar máquinas imaginadas. a criarem o seu som. a descreverem o seu funcionamento. a perceberem a lógica industrial da construção de uma máquina. a ouvirem. a trabalharem os sentidos mas, acima de tudo, a imaginarem. e num tempo em que se fala tanto de criatividade e da ausência de tempo para esse processo, eu dediquei uma aula inteira à imaginação. se esse processo fosse uma escada a imaginação estaria um degrau acima da criatividade. porque de apenas umas poucas referências nasceram, efectivamente máquinas. mais ou menos conceptuais. mais ou menos completas. mas máquinas. que produziam sons. que se transformaram em movimento do corpo e do pensar. do criar. e hoje, num tempo que se treina os alunos para reproduzir nada há de mais perfeito do que fazer o sentido contrário. reproduzir é de uma inutilidade tremenda se não for acompanhado pelo criar. e o futuro precisa de imaginação. para que não seja esta reprodução do presente de que nos queremos livrar. e isso, isso é uma aula dada em partilha. em lugares e com coisas que não existem. e assim se faz nascer um pouco mais de futuro. e assim se brinca um pouco mais com o que já se aprendeu. e assim se vê o caminho de quem quer aprender a desafiar o futuro. e tudo isto foi feito de formas diferentes. primeiro formalmente. depois, a equipa fantástica que orientou virou tudo ao contrário para o segundo grupo. começámos pelo fim e acabámos no princípio da oficina. talvez seja isto que todos precisamos. olhar a sala de aula de outra perspectiva. há muitas formas de ver o que não está lá... ainda.