13/12/2013

||| ainda há espaço para o improvável...


People are strange, when you're a stranger
Faces look ugly when you're alone
Women seem wicked, when you're unwanted
Streets are uneven, when you're down
jim. m.

||| ... os meus alunos são portugueses [quase todos]. no sentido do último dia de pagamento de uma obrigação. e eu gosto disso. é da nossa natureza e ainda bem que assim é. por isso, no último dia do prazo de entrega estou a receber todos os trabalhos de todas as turmas. e é aqui que me sinto um professor com muitos privilégios. eles são bons. ponto final. e eu tenho muita sorte por isso. uma sorte que vou provocando. mas sorte. não quer dizer que todos eles me surpreendam. mas isso é um exercício normal. porque a inspiração nem sempre surge em cima da hora. ou porque um trabalho se coaduna mais com um perfil de aluno do que com outro num determinado tipo de desafio. mas abro alguns trabalhos e lá está. aquele aluno de quem não esperava uma surpresa, arriscou. fez da excelência um desafio e chegou lá. lá, onde a surpresa acontece. lá onde a qualidade se alia ao conhecimento. lá. onde, sem ele ou ela verem, o professor que sou eu, deste lado, abre um sorriso e descansa. fica feliz. diz para si próprio que vale a pena ser professor com alunos assim. que é para eles que trabalha todos os dias vencendo o cansaço ou tantas outras coisas. e as regras do trabalho pouco importam. poucas havia. havia uma maior. a da liberdade criativa. essa, essa única regra foi superada. essa que é a mais difícil de todas as regras. e ser professor nesses momentos tem uma beleza inquantificável. é um lugar de espanto, delícia e supremacia sobre todas as outras coisas. é por isso que hoje só posso dizer obrigado aos meus alunos pelo sorriso que me fizeram nascer em cada trabalho criado. mesmo que em cima da hora. mesmo para além das regras definidas. obrigado por me fazerem querer ser melhor, por e para cada um de vocês...