12/12/2013

||| plutão já não é um planeta e eu também não...


||| ... ó professor, é que o passe dela só dá até à zona c2. depois viemos todos a pé. fogo... e esta imagem ficou-me na cabeça. um dia destes levo um mapa para a aula e peço a cada um dos meus alunos que desenhe o seu percurso habitual num dia. depois, ao fim de semana. e depois traço eu. e os restantes professores. uma teia. uma imagem visual do nosso universo de lugares. e nunca tinha pensado nisto até ouvir aquela frase. regressei a um livro. a dois, naquele momento. ao queijo e os vermes de gindzburg e ao mal visto, mal dito de beckett. mundividências, pensei. eu posso falar de lugares e coisas. de espaços e experiências. o meu mundo está para além da zona c2 ou z3 que vai até à casa da música e volta. o deles também. mas eu não conheço o universo planetário dos lugares deles. e eles não conhecem o meu. por isso é urgente que isso mude. que falemos de lugares em comum. a identificação social, histórica e local é urgente na reflexão sobre o conhecimento enquanto experiência. e nunca posso esquecer isso. por isso, gostava tanto de saber qual a teia dos espaços que eles ocupam, por onde circulam, o que os cerca visual e socialmente. e dar-lhes a conhecer a minha. os lugares por onde passo e o que lá vejo. talvez nem seja preciso um mapa [embora fosse muito curioso visualmente ter essa noção], talvez baste uma boa dose de conversa. estou a pensar nisto...