04/12/2013

||| saber não é viver, é saber...


||| ... so if i asked you about art, you'd probably give me the skinny on every art book ever written. Michelangelo, you know a lot about him. life's work, political aspirations, him and the pope, sexual orientations, the whole works, right? but i'll bet you can't tell me what it smells like in the sistine chapel. you've never actually stood there and looked up at that beautiful ceiling; seen that. este é um excerto de uma conversa entre sean e will do filme o bom rebelde. e é parte da forma como penso as minhas aulas. se julgo fundamental e estruturante o saber teórico, acho igualmente o saber pela experiência. o conhecimento das coisas dos outros. das experiências dos outros. dos lugares dos outros. como posso ensinar aos meus alunos um poema e falar-lhes do sons das máquinas ou de um avião de eles nunca o ouviram? posso. ensinar posso. e saber eles também podem. mas sabem. não apreendem. não vivem. não sabem completamente. por isso é tão importante criar momentos. momentos simples como ir andar numa rua e olhar as pessoas até momentos em que se visita um aeroporto e se entra num avião. como posso ensinar a revolução industrial se nenhum dos meus alunos alguma vez esteve dentro de uma fábrica e sentiu todo o ambiente, os sons, os ritmos, olhou os rostos de quem lá está. é claro que isto não é possível para tudo. mas é possível para tanta coisa simples que eu, como professor, posso dar-lhes. não custa nada. literalmente. ou como uma metáfora. o que custa é ter vontade de criar esses momentos para além do programa que fala de tantas coisas que eles não conhecem. o património, a cidade, os espaços, os trabalhos, as funções, as cores, os movimentos, os cheiros não estão só nos livros. precisam de ser vividos. entendidos com o corpo todo. com todos os sentidos. tudo é tão mais simples. e agora que nos roubam esse tempo nas escolas teremos em breve um grave problema. homens e mulheres que acham que tudo o que existe lhes tem que ser explicado. a quem o encanto da descoberta, do espanto e da dúvida é um eco da realidade. e isso assusta-me imensamente. dar vida a viver é o trabalho primeiro de um professor. depois pode pedir poesia, palavras, ciência ou conhecimento. inteiro. não longínquo ou incompleto. e eu, como professor, tento a cada aula construir esse pedaço de experiência que torne cada um dos meus alunos num ser em construção em descoberta do mundo. não custa nada. só um gesto e uma vontade nossa. para eles. para nós. por eles e por nós...