17/01/2014

||| às vezes apetece fechar as janelas...


||| ... observo os meus alunos. passo muito tempo nisto. gosto de perceber que sociedade temos. e ali, entre eles, há uma representação total do que será o mundo daqui a uns anos. muito mais do que numa sala de professores onde estamos todos presos no presente e no passado e somos, na maioria, personagens de outra coisa qualquer. eles. em conversa. eles em trabalho. eles em movimento. e o que vejo ainda me assusta. a mim, anarquista racional. ainda há, em muitos comportamentos restos da história de um povo que esteve preso a razões que já no século dezanove se referiam como a causa da decadência dos povos peninsulares. restos de um ideal de sociedade ainda conservadora. patriarcal no sentido mais velho do comportamento associado à palavra. onde os outros são os outros e não parte da nossa representação no mundo. há, no entanto, uma abertura maior. à diferença. mas assumindo essa diferença como tal e não como registo pessoal de identidade. e há mais do que havia uma infinita individualidade para salvação das almas. se ainda se pudesse comprar um pedaço do céu certamente muitos se queriam salvar deixando muitos outros para a perdição. observo-os e vejo que quarenta anos depois do vinte cinco de abril a noção de democracia ainda é uma criança a dar os primeiros passos. oiço, às vezes, que não funciona. que alguém tem que tomar a iniciativa e controlar a coisa. sempre houve líderes presentes e ausentes nas comunidades escolares. mas a sua emergência com base na urgência de uma identidade explicativa nunca foi tão grande. há menos comunicação. mas mais formas de partilha. a utilidade substitui a pertinência. gosto de observar tudo isto. faz-me pensar no quando uma aula pode ser importante. porque pode, em noventa minutos [mais ou menos] haver lugares onde tudo o que se vive hoje pode ser repensado. e isso é tão urgente como tudo o resto.