13/01/2014

||| caminante, no hay camino. se hace camino al andar


||| ... assusta-me como as coisas simples são, hoje, inovação. já o sabia para a tecnologia. a tecnologia só tem esse nome quando é nova. depois passa a ter nome de função. ou de coisa. de objecto. e assusta-me cada vez que os alunos estejam centrados num fazer por fazer que os afasta da observação directa da realidade. andar a pé, deambulando, é hoje um luxo de observação que perdemos. de que é composta hoje uma cidade. que espaços habitamos? como são compostos, organizados, habitados. que história existe nesse espaço comunitário que é preciso decifrar para nos entendermos no aqui e agora? parei por um momento, pensei e disse. hoje somos seres em circulação. em constante movimento. não estamos. passamos pelas coisas. levados por máquinas ou centrados nelas quando vemos caminhar ou ver a cidade e os espaços por um visor. mesmo estando perante a monumentalidade ou o património. parei por um segundo junto a este espaço abandonado. da janela espreitava um sol pintado. no google não há definição para o lugar. era preciso olhar. atravessar uma cerca aberta pela voragem do tempo. fábrica de massas. revolução industrial tardia. ultrapassada pela tecnologia. e voltamos ao conceito falado. e uma aula pode ser só isto. uma conversa a pé. porque nada conta melhor o testemunho do tempo do que qualquer lugar esquecido numa qualquer rua por onde todos os dias circulamos sem ver nada mais do que a nossa presença num espaço em movimento. como se pode ter alunos curiosos se não começamos pelo mais simples? observar. criar dúvida?