03/01/2014

||| de quem nos esquecemos que fomos...


||| ... às vezes penso que sou profissionalmente privilegiado. há quem lide com a morte, com a violência, com a fome ou mesmo com a solidão. há quem lide com as férias dos outros, com o dinheiro dos outros, com o tempo dos outros, com os pensamentos dos outros. eu, professor, lido com a esperança. nunca tinha pensado nisso. mas hoje ao ver umas fotos de uns alunos no seu primeiro dia de aulas algures num tempo em que não os conheci, com a mediação de uma rede social, percebi isso. que todos os dias lido com a esperança. porque o meu mundo de adulto não é o deles, ainda em construção. ideia que também não gosto muito porque se construir significa perder aos poucos aquele brilho no olhar então mais vale não construir nada partindo daquele momento. a ciência e o saber tira e dá brilho ao olhar. mas não este. este em que, também nós, professores ditos adultos vivemos um dia. em que os amigos eram amigos. em que cada momento era um momento. em que uma descoberta era partilhada. e regresso à esperança. eu, que nunca tinha pensado nisso, penso que nada há de mais perfeito neste desafio de ensinar. a esperança que todos temos que eles sejam muito melhores do que nós. a esperança do futuro que será deles. mas mais importante a esperança que há neles. que reside escondida na idade da inocência. e isso mais ninguém tem. e eu, sou mesmo privilegiado. por habitar esse espaço todos os dias. com eles. um lugar e tempo de esperança.