07/01/2014

||| do uso devido das palavras...


||| ... do brio. muitas vezes me pergunto, como professor, para onde foram tantas palavras. quiçá, para um lugar longe acompanhadas pelos comportamentos. tive a sorte de ver nos meus alunos um resto desse mesmo comportamento, quase sempre, presente. qualquer coisa nos serve, agora, pela falta de tempo. ou não serve mas fechamos os olhos. não arriscamos o conflito. o confronto. um trabalho escrito em cima do joelho leva uma nota qualquer mesmo que tenha sido feito em cima do joelho. não devia ser aceite. raramente os aceito. só por uma justificação extraordinária. baixámos as expectativas e com elas arrastámos os comportamentos. e com os comportamentos as palavras. como exigir brio num trabalho proposto se os nossos alunos não conhecem essa palavra e por lógica a sua referência transformada em acção? é simples. nós próprios perdemos essas palavras. deixámos de vestir o papel de professor para vestirmos o papel de funcionário. operários em desconstrução. servidores de um modelo acéfalo e desconfortante. onde esse lugar do resultado como exigência do processo deixou-se ficar vencido pelos números e tempos a cumprir. e se desafio os meus alunos, sempre, com um grau de exigência criativa elevado é por isso mesmo. porque não aceito os mínimos. nunca. voltam para serem recomeçados. refeitos. não me importam os prazos. importa-me o resultado. nem que seja um só trabalho feito num ano inteiro. mas que seja bem feito. justamente feito. não estou a ensinar só o conteúdo e conhecimento que emana do trabalho realizado. estou a ensinar a arte de fazer bem. da dedicação. e do brio. não é simples, nem é o caminho actual. mas é o meu. simplesmente.