08/01/2014

||| em tempo de guerra não...


||| ... há violência a mais na escola. não é uma reflexão. é um facto. e queria ter tempo para poder parar e lidar com isso. como professor, de todas as coisas que actualmente se passam na escola hoje, esta é a que mais me perturba. mas de que violência estou a falar é importante clarificar. a violência física, de corpo a corpo, também quando eu era aluno existia. muitas vezes controlada entre pares geria as regras entre comportamentos. sempre fui e serei, como pessoa, contra qualquer tipo de violência. condeno-a. abomino. essa demonstração do factor violência, embora cada vez mais raro no ambiente da escola é determinado por factores de momento. imediatos. um boom que leva a isso. controlar isso é controlar a essência da violência e determinar o que é permitido ou não. mas estou a falar de outro tipo de violência. da linguagem. do comportamento. dos gestos. do ambiente. estamos todos mais violentos uns com os outros. a compreensão, a comunicação, a relação está a perder-se para gestos bruscos ou cansados. e o que me assusta é ver isso traduzido em comportamentos entre os alunos. basta passar um pouco de tempo a olhar pela janela da sala de aula e ver os encontrões, as palmadas e ouvir as palavras. a forma como são ditas. as que são ditas. sim, sempre houve tal representação da violência na escola. essas brincadeiras. a diferença é que não eram uma forma de expressão. de comunicação. e agora são. talvez porque nós deixámos de ter tempo para ver estas coisas. estamos sempre em andamento. de sala para sala. de dentro para fora da escola. daqui para ali. de reunião em discussão. deixámos de ter tempo para ver. de ter tempo para falar. deixámos correr as coisas para essa natureza primitiva das relações no espaço da escola. e ficamos surpreendidos quando isso se vivifica no interior de uma sala de aula. trata-se de um prolongamento do que deixámos de ver. e vemos, nesse momento. e não sabemos com agir ou reagir. perdemos a lógica do todo para ver só aquela parte. aquele momento sobre o qual actuamos. devia ser tempo de pensar nisso. como se tal fosse possível. porque a escola tem que voltar a ser um lugar da palavra. e só assim podemos voltar a ter escola.