09/01/2014

||| está o ar a passar entre as portas...


||| ... fui a uma escola. moderna, dizem. sempre dei, quando tal era possível pela logística da escola, aulas de porta aberta. e quando pediam outros alunos para assistir [quando havia furos nos horários] deixava. agora não há nada disso. primeiro passei pela porta com um quadrado de vidro a meio e pensei: aquário. só faltam as algas e as bolinhas de ar no meio. depois assustei-me. pensei em grades. em orwell. no observador. no fim da reserva. do público e do privado. dos espaços que não são continuação do espaço. e sempre vi a minha sala de aula assim. a minha sala de aula não é a continuação do espaço da escola. é um espaço. pode estar, ou não, integrada no espaço da escola. há dias em que não me apetece que esteja. em que quero levar os meus alunos para fora da escola sem saírem do lugar. e assusta-me que tudo seja, neste caso, um espaço público. não é preocupante. é um sintoma social. que se espelha na escola. este lugar onde já ninguém pode estar. tem que estar com outros. em permanência. como se fosse possível ou impossível o lugar ser transformado para além da lógica do processo em que alguém ensina e outro aprende. estranho tudo isto. porque me assusta muito este caminho que estamos a fazer na escola. conformado num presente não desenhamos o futuro. deixamos que nos observem em vez de criarmos. e tudo, da arquitectura aos espaços das escolas ditas modernas está pensado para isso. porque nada existe por acaso. e não sei se alguém já pensou nisto...